Série de reportagens da BBC Brasil identifica pelo menos 100 perfis fakes que agitavam cenário político nas redes sociais

Pelo menos 100 perfis foram identificados; entre rotina e frases de efeito, fakes agitavam cenário político nas redes

Um ano antes do Brasil passar por mais um período eleitoral (em 2018 os brasileiros vão escolher novos governadores, deputados, senadores e presidente), a BBC Brasil traz a série de reportagens Democracia Ciborgue, para desvendar crimes e inverdades que se diluem nas redes sociais com facilidade e, muitas vezes, com força de engajamento: perfis fakes que existem para influenciar e manipular as eleições se passam como perfis de usuários verdadeiros, com amigos, curtidas e comentários.


No estudo, a BBC Brasil contou com a ajuda de especialistas para identificar como os perfis se interligavam e seus padrões típicos de comportamento. Seriam o que pesquisadores começam a identificar agora como ciborgues, uma evolução dos já conhecidos robôs ou bots, uma mistura entre pessoas reais e “máquinas” com rastros de atividade mais difíceis de serem detectados por computador devido ao comportamento mais parecido com o de humanos.

Exército de fakes

Evidências reunidas pela investigação da BBC Brasil, ao longo de três meses, sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado pela empresa Facemedia, registrada como Face Comunicação On Line Ltda, com base no Rio de Janeiro, para manipular a opinião pública, principalmente, nas eleições de 2014. Há indícios de que os mais de 100 perfis detectados no Twitter e no Facebook sejam apenas a ponta do iceberg de um problema muito mais amplo no Brasil.

À BBC Brasil, Eduardo Trevisan, dono da Facemedia, empresa que seria especializada em criar e gerir perfis falsos, nega ter produzido fakes. “A gente nunca criou perfil falso. Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais”.

O que é o monitoramento de redes sociais?

Sobre esse assunto a Cliptime pode falar com autoridade. Monitorar redes sociais pode parecer novo para parte da sociedade, mas para quem trabalha com comunicação, como por exemplo as assessorias de imprensa e departamentos de marketing, é um serviço essencial para basear as estratégias de relacionamento, identificar pontos fracos da empresa na visão dos clientes, ou analisar o impacto de versões positivas e negativas sobre determinado fato referente ao cliente.

A captura de posts funciona por meio do cadastro de palavra-chave ou fanpage (no caso do Facebook). Se a ideia é monitorar, por exemplo, o quanto se falou do caso de racismo envolvendo Titi Gagliasso, filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, o ideal seria cadastrar o nome dos três, combinações contemplando racismo, negra e as hashtags usadas por eles e por amigos que manifestaram indignação com o ocorrido, como a #antirracista. Os relatórios emitidos pela ferramenta da Cliptime mostrariam por exemplo, além do número de citações ao fato, se mais homens ou mulheres se sensibilizaram com os ataques sofridos por Titi, qual foi o período de pico de menções e, por mais difícil que seja acreditar, quem ainda continuava a emitir opiniões racistas.

O trabalho de monitoramento de redes sociais não está relacionado à “ativação” de assuntos ou hashtags entre os internautas. Além de trazer um panorama de como está a exposição de determinadas pautas, marcas, clientes, casos ou campanhas na internet, o monitoramento auxilia nas estratégias de comunicação e posicionamento nas redes sociais, através de análises que apontam os assuntos sensíveis e os que podem e devem ser explorados do lado positivo. É uma ferramenta para a comunicação inteligente e planejada.

Fonte: BBC Brasil

Leia a série de reportagens Democracia Ciborgue

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